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REVISTA HAPPY

AS FESTAS DE SEXO
mais escaldantes

« What happens in heaven stays in heaven »

Fomos saber tudo sobre as festas de sexo no clube Heaven Can Wait. Retire a venda e abra bem os olhos. Está no paraíso do prazer.
por Carla Novo

O que faria se a convidassem a dar uma “dentada na maçã”, sem que isso fosse considerado pecado? O que faria se pudesse abrir as asas do desejo sem medo da queda? Há um paraíso de luxuria às portas de Lisboa. Nós entrámos… Swing, shows lésbicos, sexo ao vivo, orgias, tantra erótico, sadomasoquismo gótico. Estes são alguns dos temas das festas de sexo. Tudo o que acontece no Heaven Can Wait, fica lá. Afinal, o céu pode mesmo esperar quando entramos no paraíso. Dos lugares secretos, aos quartos escuros… os testemunhos de quem desafia os limites do prazer.

Entrez…

O lema é: «What happens in heaven stays in heaven.» Uma mansão nos arredores de Lisboa, murada e discreta. Os portões abrem-se e surge uma passadeira vermelha que nos conduz a um único sentido: o da luxuria. Lá dentro, casais, homens e mulheres sozinhas. Elegância, erotismo e “dress-code” exigente é o mote para as próximas horas. A decoração transporta-nos para um cenário hollywoodesco.

Há uma pulsação subjacente, como o ar que se respira: desejo. Uma participante revela: «Gosto destas festas por causa do ambiente selectivo. É feita uma triagem das pessoas que frequentam o Heaven Can Wait. Depois da inscrição, a direcção faz-nos uma pequena entrevista e ou nos aceita ou não. É um processo simples e pouco demorado, ao contrário de outras sex parties que frequentei. Não são praticados preços exorbitantes como modo de selecção dos participantes. As mulheres como eu, que venho cá sozinha ou com amigas, não pagam nada e ainda têm bar aberto e uma ceia a partir das três da manhã. Gosto deste clima de privacidade, não corro o risco de ter de aturar homens grosseiros, estou aqui apenas para ter uma noite de bom sexo.»

Uma experiência inesquecível

«A primeira vez que vim ao Heaven Can Wait fiquei deslumbrada com o ambiente e fascinada com as pessoas», diz uma frequentadora das festas de sexo. «Puseram-me à vontade desde o primeiro minuto. “Quem manda aqui são as mulheres”, avisaram-me. E percebi isso no decorrer da noite. Basta uma troca de olhares, um gesto com a mão para aproximar ou afastar alguém. Descobri a minha faceta bissexual numa das festas em que partilhei orgasmos

inesquecíveis com dois casais. Atrás de uma sofisticada máscara veneziana, senti-me invadida pelo olhar de uma das mulheres. Ela estava com o companheiro e convidaram-me a observá-los, num dos quartos no andar de cima. Entrei. Masturbei-me enquanto eles faziam sexo e, subitamente outro casal juntou-se a nós. Envolvemo-nos os cinco numa cama gigante. A porta fechou-se. A luz ténue, as máscaras que nos protegem a identidade e o saber que estávamos todos em sintonia libertou-me ao ponto de perder a conta dos orgasmos que tive nessa noite. O tempo parou, tive a sensação de ter mergulhado numa tela de cinema. No dia seguinte, não tive de dar justificações a ninguém. Não há trocas de contactos, nada a não ser a certeza de uma experiência inesquecível», relata uma das mulheres que gosta de fazer o céu esperar.

O adn do clube

O clube Heaven Can Wait está a revelar-se um fenómeno. São cerca de 12 mil os fãs da página de Facebook e, às quartas, sextas e sábados, são muitos os que enchem a mansão do prazer. Os donos – um casal swinger na casa dos 40 anos – apontam o ambiente como o segredo do sucesso. «Somos acolhedores, pessoas “normais” e não toleramos atitudes ofensivas. O nosso clube é, acima de tudo, uma festa em que ninguém é obrigado a ver ou a fazer sexo. A moradia é enorme e, na zona comum, na pista de dança, no lounge e no bar não há sexo, há flirt e conversas entre conhecidos, bebe-se um copo, dança-se… Quem nos visita, seja casal ou single, nunca fica “despido”. É sempre acompanhado e enturmado no ambiente através dos nossos relações-públicas, mas sem pressões. Lembro-me de um casal que não queria ser apresentado a ninguém. Ficavam os dois numa mesa, a beber e a conversar. Dançavam e, às vezes, visitavam o quarto escuro. Quando subiam a um quarto, iam sozinhos e trancavam a porta. Há um código em cada pessoa que é respeitado. Nem é preciso verbalizar. Todas as admissões de novos participantes passam por nós. É fundamental saber aquilo que as pessoas procuram. Queremos preservar a segurança e discrição e, sobretudo, que as pessoas se divirtam a preços razoáveis. Somos quase uma família. Na zona lounge, por exemplo, o ambiente é bastante cozy. É como se estivesse num bar ou discoteca, não anda toda a gente nua a fazer sexo pelos cantos!»

Fantasy

Os temas das festas são variados e abrangem vários públicos. Desde os que gostam de trocas de casais, aos que não passam sem fetiches, aos que se perdem em fantasias de mil e uma noites, aos amantes do gang bang e orgias… Margarida e André, nomes fictícios de um casal de 30 anos, há muito que reservam a noite de sábado para as fantasias. «Tinha curiosidade em estar com o André e outra mulher, mas não sabíamos como fazê-lo», diz Margarida «através da internet ou de uma acompanhante, seria forçado e impessoal. Acabámos por ter essa experiência no Heaven Can Wait. Eu não estava preparada para ver o André a fazer sexo com outra e, portanto, começámos aos poucos. Foi uma loucura. Descobri aqui a minha bissexualidade. Gostámos tanto que nos tornámos assíduos das festas. Jamais iriamos a uma festa de sexo separados e circulamos pela casa juntos. As nossas regras enquanto casal vão mudando à medida daquilo que estamos preparados para fazer. Uma noite, depois de trocas de carícias escaldantes no varão com outras mulheres, subi com o André a um quarto. Fechámos a porta, sinal de que queríamos exclusividade. Depois de o André atingir o orgasmo, abrimos um pouco a porta e rapidamente houve curiosos que espreitaram. O André convidou um deles a juntar-se a nós. Depois, mais dois. A certa altura, perdi a conta às mãos e aos pénis que me tocavam. Tive orgasmos intensos com dupla penetração, sempre com o André a acariciar-me e a beijar-me. A nossa cumplicidade é intocável.»

A casa dos segredos

No piso térreo, a par do bar, das pistas de dança e da zona lounge, existe um recanto secreto mas… sem porta. No quarto Kurios, a luz é quase inexistente. O tom é vermelho. Na penumbra, corpos sedentos de desejo tocam-se. É um convite aos amantes do voyeurismo e do exibicionismo mas, sobretudo, a quem gosta de aguçar os sentidos.
O acesso à mansão do sexo é livre para as mulheres. Os casais e os homens pagam quantias que não chegam aos 100 euros, o que inclui bebidas, preservativos e petiscos a partir das três da manhã. Tanto se ouve música ou se dança, como se pode ver ou ter sexo. Quem sobe ao primeiro andar, pode revelar mais. Exibem-se lingeries topo de gama, saltos vertiginosos, tudo num dress code erotic chic. As máscaras são bem-vindas. Para as festas dedicadas ao sexo mais zen, há um gabinete de massagem tântrica – que alia o conceito SPA ao erótico. No mesmo piso, fica o Mystére, um segundo quarto escuro sem porta que serve de rampa de lançamento para outros quartos temáticos: o Zumanity, com ambiente burlesco, o Totem e o Zarkana são alguns deles. Na cave, a sauna e o banho turco destilam emoções. Às quartas-feiras, o ritmo é de swing. Para os interessados, aqui fica o contacto do Heaven Can Wait – Private Parties: geral@heaven.pt.